quinta-feira, 19 de maio de 2011

Falhas na criação de um cenário mitológico real.


Mitologias são excelentes fontes de inspiração para cenários de RPG, e esse cenário pode ficar mais interessante ainda se não só os monstros, mas os elementos sociais e históricos deste cenário também forem aproveitados.
Recentemente, o cinema nos apresentou uma lastimável obra baseada na mitologia grego, o filme "Fúria de Titãs".
Grande parte do fracasso do filme se deve ao fato do filme aproveitar apenas os monstros e os nomes dos personagens da mitologia e desrespeitar todo o resto; comportamento de personagens e fatos da cronologia mística foram jogados no lixo durante sua roteirização.
O resultado é que o filme também foi jogado no lixo depois de sua exibição, ficando abaixo, kilômetros abaixo, do antigo "Fúria de Titãs", filme de 1973 que tinha menos da metade de potencial de efeitos especiais.

O problema de se seguir completamente uma mitologia é que alguns detalhes poderão fugir da mitologia original. Existirá um conflito entre o roteiro planejado pelo mestre-de-jogo e as informações presentes na mitologia original.
No recente filme "Thor" temos um "furo" no roteiro causado por essa tentativa de inserir seus elementos de sua trama na mitologia nórdica sem levar em consideração um fato marcante desta mitologia: "Loki sempre foi considerado um vilão".
No filme, apenas em 2011 d.C. da contagem de tempo terrestre é que descobrem que Loki é traiçoeiro, mas a mitologia nórdica, que segundo o filme, foi baseada em uma passagem desses "alienígenas asgardianos" pelo planeta Terra, já contava desde milênios atrás que Loki era o grande vilão da história.
Para se utilizar a mitologia em seu cenário, é necessário estudo para se conhecer a fundo tal assunto, para não correr o risco de entrar em contradição durante o jogo e perder a credibilidade do seu cenário, enfraquecendo a capacidade da imaginação dos jogadores de sentir aquela história como uma realidade.

Ainda falando do filme "Thor", uma outra irregularidade encontrada no filme é a presença de atores de etnias asiática e africana entre os asgardianos.
Não existe problema algum em basear uma raça alienígena no corpo humano (de repente, a teoria da "origem alienígena" está correta e todos tiveram a mesma origem), mas "pingar" personagens com características étnicas diferentes em um ambiente que não seja o terrestre poderá complicar o cenário do mestre quando os jogadores perguntarem de onte vem os personagens da etnia asiática em Asgard.
Antes de correr o risco de precisar criar de improviso um novo continente em seu cenário mitológico, é melhor restringir tais improvisos na criação de personagens para impedir mais conflitos com a mitologia original.

2 comentários:

  1. Assista ao desenho Thor Tales of Asgard que saiu recentemente e dê um update no seu post.

    ResponderExcluir
  2. Não vi esse "furo" no filme. O filme se baseia nos elementos da mitologia nórdica sem dúvida, mas não tem necessidade alguma de segui-la de forma 100% fiel.

    No mundo que nos é apresentado no filme, uma raça de outra dimensão, passa pelo planeta e inspira a mitologia nórdica, mas em nenhum momento é dito no filme que nessa mitologia, Loki é visto como um Deus Maligno!

    Os personagens de outras etnias me pareceram absolutamente desnecessários, deslocados. Parece que foram colocados no filme por conta das cotas para afro descendentes e asiáticos.

    O que mais me incomodou no filme foi a mudança de caráter do Thor, que me pareceu rápida demais, assim como romance, que também pareceu um pouco forçado.

    Ainda assim, Thor é um bom filme!

    Abraços.

    ResponderExcluir