sábado, 19 de janeiro de 2013

Looper, Plagiadores do Futuro.

Histórias com viagem no tempo sempre dão merda.
Dá para levar a história se for uma comédia ou uma fantasia, mas como ficção científica, não dá.
E se o pessoal não dá conta de amarrar os deslocamentos temporais nem em filmes onde estão calculadas as ações de todos os personagens, imagina o paradoxo retrocontínuo que vira isso em uma aventura de RPG.
Estou voltando ao assunto porque, depois de encontrar várias críticas positivas sobre o filme "Looper", decidi assistir a obra.
Estou sem entender as críticas positivas. Teve gente que deu até 10 para o filme, chamou de original e tudo o mais.
Antes de tudo, aviso que o texto está cheio de spoilers, nem coloquei o trailer porque a conversa é com quem assistiu o filme, e não para incentivar o seu consumo.

Primeiramente, a trama do cara tendo que matar a sua versão no futuro é bacana, as possibilidades de interação entre esses personagens resulta em algo bacana, o problema é que a originalidade acabou aí.
A história já perde a credibilidade com o fato de que, ao invés de simplesmente utilizarem o forno industrial de alguma empresa de fachada, ou dissolver o corpo na banheira igual o Professor White faz no Breaking Bad, os bandidos do futuro utilizam uma máquina do tempo para enviar os condenados ao passado e pagam fortunas para assassinos aparecerem no local marcado e finalizarem o serviço.
O filme tenta sair deste furo com a frase "No futuro, é impossível sumir com uma evidência" e só. Ou seja, criaram uma máquina do tempo mas não conseguem criar uma câmara de desintegração. É aquela história da necessidade de 3 portugueses para trocar uma lâmpada, um para subir na escada e segurar a lâmpada e outros dois para ficar girando a escada. Até os mafiosos dos anos 30 tinham soluções mais práticas.
Ainda falando da existência da máquina do tempo: o filme dá a desculpa de ilegalidade das viagens no tempo para justificar a utilização das máquinas temporais, sobrando seu uso apenas para enviar condenados ao passado. É como inventar um telescópio só para apontá-lo para o sol e tentar fritar uma formiga na outra ponta.
Logo na sequência, outro furo: Perseguindo um looper do futuro que foi enviado para o presente e escapou da execução, eles pegam a versão presente do looper velho e começam a arramcar seus pedaços e obrigá-lo a comparecer no local da execução. Ninguém pensou em simplesmente matar o looper do presente para fazer sumir o looper do futuro.
Além dessas ingenuidades da trama, existem todos os paradoxos gerados no decorrer do filme, nem vou falar deles, vamos aos 4 filmes plagiados (que parece que nenhum crítico assistiu):
Os 12 Macacos: O cara volta no tempo para tentar evitar uma tragédia no futuro e descobre que ele é o causador desta tragédia. Sim, isso não é novidade, e o mais absurdo é que é o mesmo Bruce Willis que faz a merda nos dois filmes (ele mataria a mãe do moleque, dando motivos para que ele se tornasse o rei do crime no futuro).
Akira: Ninguém tinha visto uma criança entrar em surto de poder mental e explodir tudo ao redor dela?
Efeito Borboleta: Ao estudar todas as possibilidades, o protagonista toma a decisão de se matar para garantir um bom futuro para todos.
Exterminador do Futuro 2: Mate o vilão do futuro enquanto ele ainda é criança.

Cadê outros viajantes temporais interferindo na trama? E aquele poder de telecinese, sério mesmo que uma mutação surge na raça humana e sua única utilização é fazer moedas flutuarem? Os caras são assassinos, mas são obrigados a utilizar uma arma com alcance de apenas 10 metros para diminuir as chances de errar o tiro? Se o cara sabia que, em 30 anos, ele seria enviado para o passado, por que o filhadamãe não se escondeu direito? Toda uma gangue de Loopers no futuro sabiam que seriam enviados para a execução no presente, se conheciam, e nunca se organizaram para tentar lutar contra esse destino? Olha só que maneira boa de fidelizar um funcionário e evitar que ele nunca se revolte contra sua empresa: mande a versão futura dele para ser assassinada por ele mesmo, para que ele saiba que essa mesma instituição será responsável por sua morte.
Essas críticas favoráveis ao filme são algum tipo de trollagem e eu não fui avisado da brincadeira?

4 comentários:

  1. Grandes observações de um olho critico apurado.

    Bom, eu sou otimista: acho que vioagens no tempo dão certo, sim, com ficção cientifica. Mas boa parte disso vai depender de quem assiste. O seriado Fringe por exemplo, explora diferentes realidades, seja alternativa ou no futuro, e isso causa vertigem em grande maioria, mas alguns poucos compreendem tudo e fazem joinha para a ficção cientifica.

    Eu gostei de Looper. Filme rápido, que quer fazer uma aventura ligeira sem ter de se dobrar em explicações que podem causar vertigem nos menos iniciados na complexidade das viagens no tempo. Tem a viagem, tem um objetivo, tem a conclusão. E qualquer um em qualquer idade vai entender tudo.

    Para um primeiro filme, Gordon atirou bem. É claro, o silenciador de sua arma tem alguns furos, e isso vazou um pouco do som do tiro, que você ouviu atentamente. Mas veja, furos desse tipo estão pipocando por ai aos montes: The Walking Dead, por exemplo, costura umas cenas sem pé nem cabeça, mas o povo curte e nem liga muito para erros que só meia dúzia vai notar. Ou até mesmo o último filme do Batman, bonzão e tudo o mais, só que atingindo a cota de situações com pouco senso lógico (o que era aquela infantaria policial, feito guerreiros medievais? Argh!) e alto nível de milagres (como escapar de uma bomba atomica), mas estranhamente essas coisas não pesaram tanto nos elogios ao diretor.

    Sobre plagio, bem, Matrix tem um monte também. Mas acho qeu o nome disso no cinema é "homenagem"...

    Ah, sei lá camarada. Talvez você tenha visto o filme com o ar cético de quem já não está gostando nos primeiros segundos. Isso aconteceu comigo no XMen Primeira Classe, que muitos gostaram, mas eu não estava entre esses muitos. Ou talvez você não tenha gostado mesmo, e ponto. Mas um dia aprendi que para avaliar um filme, livro ou seja lá o que for, é preciso entender para que público a coisa foi feita. E Looper foi uma experiência de um diretor novo, que não apontou exatamente para um publico, mas tentou cobrir uma area inteira com uma saraivada. E nesse ponto (um filme adaptável para muitos publicos) Looper ganha medalha de bom filme, e não trolagem.

    Estou meio doido pra ver o tal d'A Viagem. Esse sim, com os diretores de Matrix, deve ser mais direcionado para o publico pirado numa ficção cientifica. Torçamos.


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  2. Sinto muito informar, mas "A Viagem" é um filme mediano, nada espetacular, e não me pareceu que o público fã de ficção cientifica vá curtir, já o público fã de filmes que falam sobre reencarnação vai adorar.

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  3. Realmente, "A Viagem" não foi tudo aquilo que eu esperava.
    Sem dar spoilers, posso falar que se Lost fosse apenas um filme, eu nem ficaria tão revoltado com o final (é você só vai entender essa depois de assistir "A Viagem", apesar dos pesares, recomendo a obra).

    Já o Looper, concordo que quando você acompanha uma obra de ficção que altera elementos da realidade, você tem que assistir com a famosa suspenção de descrença, você tem que acreditar que aquelas coisas realmente acontecem naquela realidade para não achar a história uma grande bobagem.
    Aproveitando que Walking Dead foi citado, qualquer análise um pouco mais apurada vai notar que os infectados, com aquele nível de apodrecimento, não causariam mais do que 1 mês de terror antes de estourarem suas aticulações e apodrecerem ao sol. MAS, estamos assistindo uma história de zumbis, portanto, aceitamos com naturalidade não só a resistência dos zumbis como também a facilidade com que qualquer facada tem para rachar um zumbi ao meio.
    Já o Looper, ele ofende a inteligência de qualquer um que já tenha visto ou lido uma história bacana de viagem no tempo. Aceitar deslocamentos temporais e seus paradoxos é uma coisa, mas fazer vista grossa para um roteiro ruim, aí já não dá.
    Mas concordo que, para quem está começando agora no mundo da ficção científica, o deslumbramento com todo esse novo universo de oportunidades temporais diverte o suficienta para desviar a atenção de todas as suas falhas.

    Ah, foda-se, achei o filme uma merda mesmo, ainda se fosse um trabalho de faculdade de algum estudante de cinema, eu até dava um desconto, mas chamar o Bruce Willis para gastar 30 milhões nessa porcaria, cujo roteiro deve ter sido revisado apenas pela mãe do roteirista (e deve ter achado tudo muito lindo), não dá para aceitar não.
    Já basta a tv aberta para chamar seu público de burro.

    @Torinks: Não gostou do X-Men First Class? Como assim?

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  4. Hahaha, puts, eu estava realmente esperançoso com A Viagem...

    The Walking Dead peca em algumas cenas rotineiras. Tipo uma criança que acaba de sair do parto toda melada de sangue e talz, e ums egundo depois, num rápido flash de cena, ela ta limpa. OU, quando uma cai das mãos do Rick, aos seus pés, enquanto ele ta brigando com o presidiario lá, e de repente a arma não está mais la, e sim no fundo da sala, aos pés do negão que pega a arma e mata o antigo parceiro... Mas não é nada de tão grave, essas coisas todas.

    E Pois é. Eu fiquei cabreiro com aquela Mistica de novela mexicana (que fica na duvida se fica com um cabra ou com o outro no final). Achei que o inimigo poderia ser melhor aproveitado (com todo o potencial que ele tinha, poderia tretar com a turma toda para dar mais emoção na coisa... mas ele morre com uma moeda na testa...). E tem mais coisa que não lembro agora. Mas os dois atores lá (Magneto e Charles) foram muito bem, e o inicio do filme, reaproveitando uma cena do primeiro X Men, foi uma ótima sacada. Mas, sei lá, achei o filme fraco do tipo que não voltaria a ver...

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