sábado, 26 de janeiro de 2013

Nome de comidas

A culinária típica faz parte de um cenário, e uma maneira de incrementar esse elemento em seus jogos é inventar algumas histórias para o nome de alguns dos pratos locais. A história por trás dos nomes de alguns alimentos conhecidos nossos são até bem conhecidas, quanto a outras, apesar do nome sugestivo, só existem especulações sobre a sua origem (Jô Soares, no livro "O Xangô de Baker Street" brinca com isso, ao atribuir uma história para a crição da bebida "caipirinha") Um doce que está presente em todas as festas de aniversário, e carrega uma "história histórica" é o brigadeiro.
Durante as eleições de 1945, para arrecadar fundos para a campanha do Brigadeiro Eduardo Gomes, algumas senhoras do seu comitê decidiram vender "negrinhos" (que era o nome informal e politicamente incorreto do doce nessa época).
As vendas eram feitas referindo-se aos doces como "doces do Brigadeiro", termo que acabou se resumindo para apenas "brigadeiro".

Uma combinação de eventos deu nome para um prato internacional, o "carpaccio"
Em Veneza, no ano de 1950, uma cliente pediu um prato com carne crua, por receita de seu médico, e o chef Giuseppe Cipriani improvisou o tal prato, reforçando nos molhos para dar sabor à carne.
Por coincidência, estava em exposição na cidade uma exposição do pintor Vittore Carpaccio, e um dos frequentadores do restaurante fez a comparação da cor deste prato especialmente preparado com os tons de vermelho utilizados pelo pintor em suas obras. Feita essa relação, por esse nome o prato foi chamado quando outros clientes quiseram experimentar a iguaria.

Muita história existe também por trás do salgado "esfirra".
Perto do final da segunda guerra mundial, uma tropa otomana acreditou ter assassinado Hitler durante uma emboscada na Turquia, confundiram um oficial austríaco de alta patente com o fuhrer nazista.
Para comemorar o feito, os combatentes, um pouco embriadados, decidiram retomar um costume tribal e comeram a carne moída do tal oficial junto com uma massa de trigo improvisada com suprimentos.
A todo momento, chamavam o salgado de "ex-fuhrer", e mesmo depois de desfeita a confusão de identidades, o gosto pelo salgado permaneceu (mudando o recheio para carne de camelo), e conforme a receita foi se espalhando, o recheio foi se adaptando para carne bovina e o nome também foi se alterando, passando por "esfiha" e chegando a "esfirra" aqui no Brasil.

O "Bauru" também é um prato com história.
Um estudante de direito na cidade de São Paulo, vindo da cidade de Bauru, pediu uma modificação no lanche do restaurante "Ponto Chic", e outros frequentadores, querendo o mesmo prato, resumiram o pedido chamando o lanche pelo apelido do rapaz que o sugeriu, que era a cidade de onde ele vinha: Bauru.

Só para completar, uma curiosidade: Você sabia que o X, do X-Tudo, X-Salada e outros lanches tem origem no lanche básico de hamburguer com queijo? De origem estadunidense, o lanche se chamava cheeseburguer, e foi abrasileirado para X-Burguer (o X mantém o som da palavra "cheese").


2 comentários:

  1. E assim, nunca mais consegui comer uma esfirra sem pensar em canibalismo...obrigado Roger.

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  2. O Xangô de Baker Street é um ótimo livro, tenho ele aqui e conheço bem a história da caipirinha... Nem vou derramar um pouco pro santo, vai ser pro Watson! rsrs.

    Mas aí, é uma post muito interessante, vou inventar histórias para cada pedaço de frango que os personagens comerem!

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