quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Meus alunos são Black Blocs

Não é nem com orgulho nem com arrependimento que reconheço que os meus alunos são Black Blocs.
São adolescentes que passaram pelo ensino fundamental e pelo ensino médio empurrados pela progressão continuada, com professores que não tinham condição alguma de passar seus conteúdos em sala de aula.
Na escola eles aprenderam a desrespeitar autoridades, quanto maior o desrespeito, maior era a "moral" que ganhavam com a turma; e como sempre, nenhuma punição.
Aprenderam também a se tornarem vagabundos. Perceberam que, mesmo sem responder nem mesmo um exercício de múltipla escolha, eles passariam de ano do mesmo jeito que aqueles "otários" que entregaram todos os trabalhos do bimestre.
Aprenderam também que o estado é obrigado a suprir todas as suas necessidades. Ganham material e mochila; podem rabiscar as paredes, pois no ano que vem elas serão pintadas; podem fazer guerra de comida que no dia seguinte continuará tendo merenda; podem esquecer seus livros em casa, pois de algum lugar surgirão outros para ele (não) acompanhar a aula; podem rasgar folhas do caderno para fazer bolinhas, e acabando a munição podem ganhar um novo caderno.
Saindo da escola e encarando a realidade, eles descobrem que não existe lugar para eles nesse mundo.
Saem do emprego logo na primeira vez em que a atenção deles é chamada, acham um absurdo não poderem entrar no serviço na hora que bem entenderem.
Acham que é obrigação do mundo pagar um salário para eles, independente do que eles façam.
São arrogantes, não leem nada porque acham que sabem de tudo.
Não sabem construir, só sabem destruir. Não sabem o que reivindicar, só querem protestar. Não estão preparados para se enxergar como indivíduos, só se sentem fortes quando fazem parte de alguma turma.
São esses os meus alunos. É essa a geração que uma educação indigente e mentirosa conseguiu entregar para a nação. O país precisando importar qualquer tipo de mão de obra, de médicos a pedreiros, pois a única coisa que a escola está formando é uma horda de desempregados revoltados.
Uma geração inteira deste país está perdida, não serve para nada, uma multidão de inúteis protestando por uma utopia doentia, buscando um mundo onde se ganha a vida girando o caderno na ponta do dedo e mandando o professor se fuder.



sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Infecção Beagle

Atenção criadores de cães!

Alguns cães da raça beagle, que estavam sendo utilizados como cobaias no Instituto Royal, passaram a apresentar comportamento agressivo uma semana depois que foram resgatados.
Os sintomas são semelhantes ao da raiva, causa comportamento arredio do cão, formação de secreção e avermelhamento nos olhos, salivação excessiva e falta de sono.
Alguns tratadores foram mordidos pelos cães, e relataram mal-estar algumas horas depois da mordida. Eles já foram tratados com medicação anti-rábica, mas os sintomas não estão regredindo.

Alguns desses cães estão sendo vendidos pela internet, sem que tais sintomas sejam descritos.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Meus queridos leitores,

Eu não sei o que fazer com Dóris.
Ela era apenas um personagem secundário, aliás, nem isso, era a auxiliar de um personagem secundário, uma figurante, nem nome deveria ter, mas acabou ganhando não só o nome como várias cenas.
Suas cenas aliás, pouco tinham a ver com o protagonista, ela era apenas a secretária do presidente da empresa que fabricou o androide. Ela teve apenas umas duas interações com o protagonista, apenas umas situações cômicas cotidianas, nem sei porque eu insisti em continuar criando situações que mostrassem o dia a dia dela.
Ela é jovem, não sabe o que fazer com seus sentimentos, tem uma pequena crise com seus pais, é dedicada... nada que interfira na trama.
Foi irresistível, entre as ações centrais da trama, naquelas situações que só tinham a função de reforçar o realismo do cenário, apareciam as cenas com a Dóris, eu nem me dava conta que ela estava aparecendo tanto, mas agora, com o final chegando, eu não sei o que fazer com ela.
Por se tratar de uma obra de ação e mistério, acredito que vocês estão esperando por alguma surpresa que coloque a Dóris no caminho do androide, e provavelmente, com um final trágico, afinal, é tão frágil a coitadinha...
Mas eu não pensei em nada disso, eram apenas situações cotidianas mesmo, para humanizar o cenário, mostrar que, apesar de todos os avanços científicos, as pessoas que viviam nele eram iguais a vocês, leitores.
Tem outro problema também: muitos já devem estar esperando isso, a figurante sem valor nenhum, que só é citada gratuitamente de vez em quando, tendo um papel fundamental no desfecho da trama. Nem isso eu posso fazer porque seria um truque muito barato.
É isso, eu não sei o que fazer com essa personagem. Acabei me simpatizando com ela, criei os momentos dela, mas agora, ela tem um rumo que em nada bate com o do M32.
Será que vocês podem aceitar que ela é simplesmente um personagem que vive nesse mundo, sem nenhuma ligação com os rumos principais da trama?
Desculpem se criei expectativas, ou se acham que apenas desperdicei tempo de narrativa contando o que Dóris fazia ou deixava de fazer, mas é isso, ela é apenas uma figurante simpática e sem importância. Não acho justo ela servir de alvo gratuito no final só para amarrar a trama.
Tudo bem se eu encerrar a luta do M32 e deixar ela vivendo a vidinha dela?
Não vai ser uma vida lá muito sossegada, pois o M32 vai acabar com a empresa em que ela trabalha, e ela vai se ver desempregada em uma cidade grande, com aluguel para pagar, e nem o último salário ela vai receber, pois os chefões da empresa vão desaparecer depois do confronto final.
Mas que droga, Dóris. Me fez dar spoiler da história...



terça-feira, 15 de outubro de 2013

Cidade dos Ossos

Sonhei que eu estava andando em uma cidade branca, com prédios altos, linhas retas, e arredondamentos ornamentais em suas quinas.
A cidade tinha cores, mas todas eram claras, o dia estava ensolarado, as ruas estavam limpas, e a calçada era feita de crânios humanos. Crânios inteiros, encaixados uns nos outros de maneiras diferentes, para que suas saliências não incomodassem os pés dos cidadãos.

Um prédio estava em obras, e vi que suas paredes também eram feitas de ossos, de várias partes do corpo, e eram encaixados de tal maneira pelos pedreiros que as paredes pareciam retas.
Pedreiros de ossos…
Alguns deles estavam descarregando o material de construção de um caminhão. O caminhão era feito de metal, mas sua carga eram ossos, amarelados, e alguns ainda tinham restos escuros de carne grudados neles.
Aqueles ossos eram lixados até ficarem brancos, e depois eram envernizados por um esmalte transparente, que os deixavam resistentes como pedras depois que secavam.
Os pedreiros não eram escravos, eram trabalhadores normais, e faziam seu trabalho com dedicação, eu observava um deles envernizando um crânio com dedicação, passava com agilidade uma espuma encharcada por toda a superfície, e depois, lentamente, utilizava um pincel para cobrir qualquer ranhura que pudesse ter ficado desprotegida.
Parecia uma carícia, como se estivesse cuidando do crânio do próprio pai.
E realmente, poderia ser o crânio do próprio pai dele.

Ainda existiam funerais naquela cidade, alguns tinham seus corpos inteiros enterrados, mas alguns optavam por vender partes de seus parentes falecidos, contentando-se em enterrar apenas algumas vísceras que não tinham utilização.
Enterros de corpos inteiros eram apenas um símbolo de status. Corpos eram uma mercadoria como qualquer outra, vendidas para uma empresa de reciclagem que revendia as partes de maneira anônima.
A maçaneta da igreja poderia ser o fêmur de sua tia, e você nunca saberia disso.
O coração da sua mãe, que serviu para pagar a faculdade da sua filha, poderia estar batendo no peito de um popstar, e você nunca saberia disso.
Aquele mestre de RPG com quem você jogou algumas vezes quando era criança poderia ter morrido no ano passado, e você não ficou sabendo de sua morte e nem sabia que aquele sofá que você estava comprando era feito com a pele dele (coberta com um verniz azulado e com textura de camurça).
Nas óticas, você não comprava óculos, você comprava olhos, e um deles poderia ser daquela menininha por quem você era apaixonado no jardim da infância, mas depois que trocou de escola nunca mais ficou sabendo dela.

Pessoas não pensavam em sabotar os ossos, usar uma dosagem errada de verniz para que todas aquelas estruturas desmoronassem. Todos preferiam tratar os ossos com carinho e dedicação.

Era um conceito assustador, mas a cidade era linda.

Devo escrever um cenário cyberpunk de RPG com esses conceitos ou devo trocar de psiquiatra?



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O verdadeiro pastor metralhadora



Virei evangélico depois dessa!
só que não.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Pegadinha da Malandra

Eu já sei o começo, o meio e o fim da história, o Pokoloko deve conhecer até as falas dos personagens, ainda assim, vou ver no cinema.


vai ser difícil o Sílvio Spectro ganhar dessa.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Pole Dance Olímpico Já!

Aproveitando que a patroa não lê este site:

Cadê a lista online de assinaturas para pole dance entrar nas olimpíadas?