terça-feira, 22 de outubro de 2013

Meus queridos leitores,

Eu não sei o que fazer com Dóris.
Ela era apenas um personagem secundário, aliás, nem isso, era a auxiliar de um personagem secundário, uma figurante, nem nome deveria ter, mas acabou ganhando não só o nome como várias cenas.
Suas cenas aliás, pouco tinham a ver com o protagonista, ela era apenas a secretária do presidente da empresa que fabricou o androide. Ela teve apenas umas duas interações com o protagonista, apenas umas situações cômicas cotidianas, nem sei porque eu insisti em continuar criando situações que mostrassem o dia a dia dela.
Ela é jovem, não sabe o que fazer com seus sentimentos, tem uma pequena crise com seus pais, é dedicada... nada que interfira na trama.
Foi irresistível, entre as ações centrais da trama, naquelas situações que só tinham a função de reforçar o realismo do cenário, apareciam as cenas com a Dóris, eu nem me dava conta que ela estava aparecendo tanto, mas agora, com o final chegando, eu não sei o que fazer com ela.
Por se tratar de uma obra de ação e mistério, acredito que vocês estão esperando por alguma surpresa que coloque a Dóris no caminho do androide, e provavelmente, com um final trágico, afinal, é tão frágil a coitadinha...
Mas eu não pensei em nada disso, eram apenas situações cotidianas mesmo, para humanizar o cenário, mostrar que, apesar de todos os avanços científicos, as pessoas que viviam nele eram iguais a vocês, leitores.
Tem outro problema também: muitos já devem estar esperando isso, a figurante sem valor nenhum, que só é citada gratuitamente de vez em quando, tendo um papel fundamental no desfecho da trama. Nem isso eu posso fazer porque seria um truque muito barato.
É isso, eu não sei o que fazer com essa personagem. Acabei me simpatizando com ela, criei os momentos dela, mas agora, ela tem um rumo que em nada bate com o do M32.
Será que vocês podem aceitar que ela é simplesmente um personagem que vive nesse mundo, sem nenhuma ligação com os rumos principais da trama?
Desculpem se criei expectativas, ou se acham que apenas desperdicei tempo de narrativa contando o que Dóris fazia ou deixava de fazer, mas é isso, ela é apenas uma figurante simpática e sem importância. Não acho justo ela servir de alvo gratuito no final só para amarrar a trama.
Tudo bem se eu encerrar a luta do M32 e deixar ela vivendo a vidinha dela?
Não vai ser uma vida lá muito sossegada, pois o M32 vai acabar com a empresa em que ela trabalha, e ela vai se ver desempregada em uma cidade grande, com aluguel para pagar, e nem o último salário ela vai receber, pois os chefões da empresa vão desaparecer depois do confronto final.
Mas que droga, Dóris. Me fez dar spoiler da história...



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