quinta-feira, 31 de julho de 2014

Exercício de Lógica sobre: Funk Ostentação

De repente, os programas de TV estão infestados de "cantores" de funk ostentação.
Qualquer tipo de programa de TV aberta, lá estão eles, tentando responder perguntas, desfilando cordões dourados exagerados, disparando novas gírias e fazendo seu barulho.
Sem discutir a qualidade musical deste estilo brasileiro ( o funk original nada tem a ver com essa mistura de rap com remixes), vamos tentar entender o motivo deste sucesso.
O funk, com estas características sonoras, já existe faz tempo; já fazia grande sucesso entre os jovens de todas as classes sociais. Estamos tentando entender porque, só agora, é que o funk impregnou a grande mídia.
A qualidade sonora é a mesma, mas o tema das letras mudou. Teve crítica social, passou para apologia ao crime, circula pelo sexo explícito, e chegou na ostentação. Por que somente quando o funk passou a valorizar bens de consumo inacessíveis para a maioria dos fãs é que ele "funcionou" para o público "global"?

Já é fato o procedimento de condicionar o gosto popular pela repetição. Isso já ocorre com propagandas políticas, boatos e músicas populares. Para um público que está acostumado a não questionar, "se uma mídia de massa diz que é bom, deve ser bom".
Para conseguir divulgação numa mídia de massa, dinheiro deve ser investido.
Mesmo lotando shows em bailes, o público não tem condições de pagar ingressos capazes de bancar toda essa divulgação.

Existem mecenas (pessoas ricas que investem em artistas sem necessidade de restituição) nas comunidades?
Existem interessados em lavar dinheiro (transformar dinheiro recebido de ações criminosas em dinheiro que pode ser declarado no imposto de renda) nas comunidades?
Partindo da suposição de que é maior a possibilidade de existir alguém querendo lavar dinheiro, vamos entender como isso pode funcionar:
 - O ingresso para o baile funk custa R$50,00.
 - O falso mecenas compra todos os ingressos (esse tipo de compra é anônima, não se tem registro de quem comprou, mas a administração do show pode registrar a entrada limpa desse valor) por R$50.000,00.
 - Os ingressos são distribuídos (ou vendidos por R$1,00) entre a comunidade.
 - A administração do baile paga R$15.000,00 para os artistas e despesas do baile.
 - A administração do baile, que é do próprio falso mecenas, fica com R$35.000,00 limpinhos, com fonte de renda declarada.

Quem poderia ser esse falso mecenas? Acredito que a resposta óbvia é o traficante.
Será que o traficante não fazia isso antes?
Os shows de funk podem sempre ter sido patrocinados por traficantes (existem até "obras" compostas em homenagem a alguns chefões), mas não cairia bem para um traficante a divulgação de um artista seu cantando incentivos a assassinatos de policiais.
Funks sobre sexo também sofreriam uma certa resistência das mídias.
Funks engraçadinhos ou sobre temas femininos até fizeram algum sucesso, mas por que só o funk ostentação brilhou tanto?
Suas letras incentivam o consumismo de artigos de luxo, como jóias, veículos importados ou roupas de marcas.
São produtos incompatíveis com a renda média dos moradores das favelas. Alguns pais gastam todo o salário do mês para comprar o tênis da marca que o filho faz questão.
Estariam os traficantes aliados aos revendedores de produtos de elite?
Um pai não tem condições de comprar um perfome da Ferrari para seu filho adolescente. Já um adolescente, que trabalha para o tráfico, pode comprar até um veículo Ferrari se subir rápido na cadeia de comando.
Ao mesmo tempo que o tráfico de drogas limpa o seu dinheiro com o Funk ostentação, o funk ostentanção planta na mente dos jovens um ideal de sucesso que, na realidade deles, só pode ser atingido por meio do funk, do futebol, ou do tráfico.
Como não existem tantas vagas assim para funkeiros ou futeboleiros, resta a carreira do tráfico para seguir o sonho da ostentação.
Agora, todo final de semana na TV, aparece um funkeiro para fazer barulho e te convidar para o ostentoso mundo do crime.

Será que os administradores das mídias não sabem dessa relação? Ou será que esse estudo de lógica não faz sentido algum? Ou será que um estudo de lógica sobre as mídias se faz necessário?


sábado, 12 de julho de 2014

Passou no cinema?: Anna (Mindscape)

Imagine o poder de assistir as memórias de uma pessoa. Este é o elemento ficcional neste thriller de investigação Anna (ou MindScape).

Uma patricinha problemática é investigada por um detetive mnemônico, e mesmo dentro das memórias dela, a dúvida continua: ela é a vítima ou a assassina?
É uma maneira interessante de ilustrar os poderes mentais muitas vezes utilizados em jogos de RPG, que muitas vezes são resolvidos em simples rolagens de dados.




segunda-feira, 7 de julho de 2014

Passou nos cinemas?: Sob a Pele

Sob a Pele é aquele filme que gerou comentários mesmo antes do lançamento por causa das cenas de nudez da Scarlett Johansson, porém, a vagarosidade silenciosa do filme fugiu do sucesso.
O filme é lento, longas tomadas com os personagens fazendo as mesmas coisas, e para piorar as coisas, os protagonistas não falam.
Não que sejam mudos, mas eles só falam o que é necessário para enganar os humanos. Suas verdadeiras intenções, seus sentimentos, não são revelados por palavras. O filme exige muita atenção aos detalhes para ser compreendido. Talvez esse seja o motivo das cenas longas e arrastadas, dar um tempo para o espectador ficar especulando "o que será que ela/ele está pensando?" "será que é por causa disso que fizeram aquilo"?
Apesar da sensualidade ser a arma da/do personagem da Scarlett, faz falta a palavra "it", pois com o passar do filme, você percebe que você não sabe se aquele ser que está "sob a pele" de humano é macho ou fêmea, aliás, parece não ter sexo algum.

Apesar de não ser um filme de ação, ele dá uma ideia sensacional para jogos de RPG, um tipo de predador disfarçado de humano (como vampiros ou "invasores de corpos"), mas que não conta com poderes absurdos. Eles são apenas operários de uma colmeia, agindo em sincronia e eficiência para fazer sua comunidade funcionar.
O filme não explica o que eles são, a sinopse fala que são alienígenas, mas isso não é explicado em nenhum momento no filme, aliás, nada é explicado, o filme não tem intenção nenhuma de te explicara nada, ou você entende a piada, ou já era.
O final é bobo (ou eu é que fui bobo de não entender o final). Depois de uma cena impressionante, o filme acaba de maneira boba, um personagem toma uma atitude forçada e temos um final poético. E bobo. Se alguém assistir e quiser trocar ideias sobre um final melhor, avisa lá nos comentários que a gente pode soltar uns spoilers.

Ah, outro detalhe impressionante: Algumas cenas foram gravadas com câmera escondida. As pessoas que participaram da cena com a Scarlett (que estava irreconhecível com uma peruca morena) nas ruas não sabiam que estavam participando de um filme.





sexta-feira, 4 de julho de 2014

A Mártir da Copa 2014

Hanna Cristina dos Santos tinha uma passageira especial naquela quinta-feira, dia 3 de julho de 2014, dia de jogos das oitavas de final da copa do mundo de futebol.
Já fazia um ano que Hanna dirigia o micro-ônibus que fazia a linha Conjunto Felicidade / Shopping Del Rey, em Belo Horizonte, e naquele dia ela estava acompanhada de sua filhinha, Ana Clara, de 5 anos.
De repente, ela percebeu o viaduto em construção sobre a avenida Pedro I estava desmoronando. Foi muito rápido, mais de vinte vidas no seu veículo, ela tentou segurar o veículo pesado que dirigia, freiou o máximo que pode, mas não o suficiente para evitar que a frente do micro-ônibus entrasse embaixo das toneladas de aço e concreto que estavam desabando.
Diante da inevitável tragédia, seu último movimento foi empurrar para trás sua filha.
Hanna Cristina dos Santos, 26 anos, morreu esmagada pela queda do viaduto. O impacto foi tamanho que chegou a levantar a traseira do veículo. Sua filha, e todos os passageiros do ônibus sobreviveram, apesar dos ferimentos graves.
O viaduto que desabou era uma das obras de mobilidade urbana para a copa, deveria auxiliar no transporte de torcedores até o mineirão, porém, não só não foi construído a tempo como também desmoronou. Uma obra emergencial (para não precisar de licitação), feita na pressa, com a única intenção de lucrar com o desvio de verbas que só uma copa do mundo pode proporcionar.
Hanna morreu por causa de você. Não "por você", mas "por causa de você", filhadaputa, que fica comemorando os gols da copa, como se jogos de futebol fossem a coisa mais importante de suas vidas.