segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Máscaras e Arquétipos

Além de heróis e monstros, existem outros personagens em seus jogos de RPG?
Christopher Vogler, quando trabalhando no departamento de desenvolvimento de ideias da Disney no final dos anos 80, fez um memorando para os roteiristas com um guia de criação com base em estruturas míticas.
Esses conceitos, agrupados em 7 páginas, ficaram tão bons que evoluiu para o livro "A Jornada do Escritor", e Vogler, além de se tornar um dos principais roteiristas de Hollywood, também é um "doutor" de roteiros, que corrige ou troca elementos para garantir o sucesso do futuro filme.
Nesta "Jornada do Escritor", além de abordar as partes da história segundo as 12 partes da jornada do Herói, de Joseph Campbell, utilizou conceitos arquetípicos de Carl Jung para caracterizar cada uma das funções dos personagens de uma história.
Esses arquétipos não significam necessariamente que um personagem é representado de uma maneira. Os arquétipos devem ser vistos como funções do personagem, como uma máscara natural que ele usa em determinados momentos da história, podendo o mesmo personagem carregar vários arquétipos. Por exemplo, do ponto de vista dos japoneses, os pilotos kamikazes eram heróis.


Esses arquétipos são:

- Herói: Geralmente, é o protagonista da trama, é aquele que se sacrifica por um bem maior. Mas lembre-se que essa máscara não é exclusividade dele: pode aparecer na história outro personagem com tão nobre intenção, e se o bem maior que esse outro personagem busca é algo que vai contra os interesses do protagonista, essa função de herói pode estar sendo exercida pelo vilão da história.

- Arauto: É aquele personagem que traz alguma informação, ou que realiza alguma ação que traz o problema até o protagonista, levando esse a tomar alguma atitude diante de tal situação. No começo de "O Hobbit", Gandalf funciona como Arauto da situação, trazendo a chamado da aventura até a toca do Bilbo.

- Mentor: Estão lembrados do Mentor, do desenho do He Man (sim, o nome do personagem era Mentor, era um militar de alta patente do reino)? Ele sempre dava alguma dica para o He Man conseguir sucesso em sua missão, ensinava ele alguma manobra ou até fornecia algum equipamento  importante para a conquista da vitória. Qualquer personagem que interagem com o protagonista para ensinar algo, ou passar algo importante para que o herói complete sua jornada, estará exercendo a função do Mentor.
No último filme da saga "O Poderoso Chefão", Dom Michael viaja para Itália para se aconselhar com um padrinho das antigas, da época em que ele ficou exilado por lá, e as palavras deste padrinho iluminaram as decisões do protagonista de imediato. Ao contrário do padrão, que é o Mentor aparecendo no início da trama, praticamente junto com o Arauto, esse é um caso em que o Mentor aparece no meio da história.

- Guardião de Limiar: É aquele cara que atrapalha de alguma maneira alguma parte importante do caminho do protagonista. Pode ser um aliado do vilão principal, pode ser um chefe que dá ordens contrárias ao interesse do personagem, é um desafio intermediário, antes de chegar no verdadeiro vilão.
No videogame MegaMan, todo final de fase tinha um chefão de fase. Era um personagem cumprindo a função de Guardião de Liminar. E assim que ele era derrotado, ele cumpria a função de Mentor, pois passava para o MegaMan um novo poder.

- Pícaro: O nome é engraçado, e a função do personagem é essa mesma: Ser engraçado.
Geralmente, é aquele coadjuvante que se mete em situações cômicas, podendo até causar complicações extras para o protagonista.
Além de ser engraçado, é um personagem que acaba gerando uma simpatia maior do público pela história, pois chama a atenção para elementos do cenário e destaca a humanidade dos personagens.
No filme "Indiana Jones e o Templo da Perdição", a mocinha era uma pícara (muito estranha essa palavra, pícara), pois mais do que o interesse romântico do protagonista, Willie estava lá para arrancar risos do público.

- Sombra: É a caracterização dos interesses contrários aos do protagonista. É o vilão. Estão lembrado do Guardião de Limiar? Este personagem pode aparecer como Sombra no começo da história, e só quando ele é vencido, ou só quando uma nova informação chega, é que esse personagem passa a ser apenas um Guardião de Limiar.
Na série "24 Horas" se tornou cliché, em todas as temporadas, aquele personagem que aparecia como sendo o Sombra nos primeiros episódios se tornar apenas um Guardião de Limiar. Quando ele era derrotado, ele apenas abria caminho para Jack Bauer perseguir o verdadeiro Sombra da trama (Aliás, se faltasse mais do que 6 horas para terminar o dia do Jack Bauer, ainda dava tempo para esse novo Sombra se tornar apenas mais um Guardião e aparecer um nooooooooovo Sombra na história).

-Camaleão: É aquele personagem cuja função é imprecisa durante a trama. Não significa aquele personagem que alterna entre uma função e outra, ou aquele personagem que era uma função e se tornou outra. A principal função do camaleão na história é deixar o público em dúvida quanto à verdadeira função do personagem.
Falsos camaleões existem nos livros "Os Sete" e "Sétimo", uma história de vampiros de André Vianco, alguns vampiros parecem trocar de lado, às vezes estão do lado dos protagonistas outras vezes são inimigos, mas esse posicionamento dos personagens é claro para o leitor. A trama deixa bem claro os interesses de cada um deles, portanto, apesar de passarem de Sombras para Mentores e depois, novamente para Sombras, não existe dúvida quanto a isso.
Já um princípio de "Camaleonice" existe no Sr. Miyagi, o famoso Mentor da série de filmes "Karatê Kid". Ainda no início do primeiro filme quando o público já tinha certeza da função de Mentor deste personagem, ele passa um treinamento de pintar cerca e polir carro para Daniel San. O público começa a duvidar da capacidade de ensinar do personagem, ele parece ser apenas um Pícaro da trama, mas assim que o protagonista confronta seu mestre sobre a validade de seu treinamento, Sr. Miyagi é confirmado como Mentor.
Não vou citar o nome do filme para dar spoiler, mas sabe aquele filme de interrogatório em que "o personagem deixa de mancar no final"? Então, é um dos mais filhasdasp#### dos camaleões.
Em "Star Wars IV - Uma Nova Esperança", Hans Solo começa como Camaleão. Ele diz com todas as palavras que não se importa com a princesa Leia e seus rebeldes, chega até a abandoná-los em um momento de crise, mas surpreende o público ao voltar para a batalha e mostrar-se como um Herói aliado.



sábado, 23 de fevereiro de 2013

Os deuses não se enganam?

Um comportamento que se repete muito no Brasil é a crença no ditado "santo de casa não faz milagre"; pra ser bom tem que vir de fora.
Por conta disso, pessoas atribuem um distanciamento mítico para tudo que elas veem como sendo símbolo do sucesso: Se funciona, é porque alguma divindade quis assim. Livros são escritos por entidades superiores, e artistas de televisão são seres de uma dimensão paralela.
Provavelmente por causa da baixa cultura e da falta de vontade de trabalhar, essas pessoas não conseguem assimilar o fato de que um ser humano, assim como eles, pode produzir algo de sucesso.
Quantas vezes não se ouviu aquele pessoal falando que a novela da Globo é uma porcaria, mas deu nove horas, olha o infeliz lá, na frente da tv, vendo a novela.
Com os RPGs é a mesma coisa: o pessoal reclama, fala que o D&D virou um videogame, que perdeu completamente a noção de roleplay, mas ainda assim, a turma continua endeusando o jogo, como se não houvesse versões nacionais bem melhores do mesmo cenário. Os roleplayers preferem continuar jogando algo ruim, se esforçando para achar que é bom, ao invés de pesquisar o que é Old Dragon ou como funciona o Mighty Blade.
A própria equipe da Wizards of the Coast mostrou que não sabe direito o que está fazendo, lançou a versão 3.5 alguns meses depois do lançamento da versão 3 para tentar corrigir sua falta de playtestllçççç
, e tudo que vem do estrangeiro continua sendo como se fosse uma palavra divina. Se os "masters" disseram, devemos aceitar que é verdade.

Temos um exemplo atual da falta de noção de entidades tidas como portadores da verdade absoluta da civilização pós-moderna na cerimônia de entrega do Oscar 2013.
Não estou criticando aqui a falha. Também não estou desculpando a falha, mas o foco aqui é mostrar como que pessoas não percebem que empresas, livros, novelas, eventos, tudo é feito por pessoas, como você, e pessoas, eventualmente, podem falhar, você não é obrigado a aceitar tudo que lhe é empurrado como certificado e comprovado como sendo verdadeiro.

Vamos aos fatos: O Oscar, que simboliza o evento máximo de uma indústria trilhonária mundial, que incentivará milhões a assistirem seus filmes premiados (meu cunhado faz coleção de dvds de filmes ganhadores do Oscar), esse evento que faz todo um suspense para apresentar o vencedor de cada categoria, esse evento teve a capacidade de indicar o mesmo filme nas categorias "Melhor Filme Estrangeiro" e "Melhor Filme".
O simples fato de ter a categoria "Filme Estrangeiro" já diz algo da "generosidade" deles, pois até criaram uma categoria para filminhos menores terem a chance de ganhar o prêmio (afinal, filme bom só eles sabem fazer, né?).
E nesse ano eles repetem a mesma bobagem que fizeram em 1999, de achar um filme estrangeiro "tão bom" que merece concorrer como melhor filme também.
Putz, se o filme "Amor" conseguiu até extrapolar sua própria categoria (filminhos de segunda) para concorrer na categoria principal (filmões que eles fazem), alguém tem alguma dúvida de qual filme vai levar a estatueta de "melhor filme estrangeiro"?
Sim, o Oscar, uma entidade histórica, comandada por pessoas consideradas experts no que fazem, essa entidade está passando por um papelão desses. De novo.

Tudo bem que o Oscar é só um prêmio, não vai interferir no salário de ninguém por aqui, mas está funcionando só como exemplo: Quantas mentiras você ouviu da televisão hoje? Quantas regras falhas você leu em regras de RPG neste ano? Você se questionou alguma vez? Ou decidiu acatar o que estava escrito ou o que a televisão falou, afinal, deuses não se enganam.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Personagens femininas são violentas?

Existe uma certa cautela quando personagens femininas estão no jogo, principalmente quando são controladas por meninas. Aliás, mesmo jogando com personagens masculinos, o ritmo da mesa de jogo muda quando tem uma menina presente.
Uma das motivações deste comportamento é o fato de que o sexo feminino não está ligado com violência. Pelo menos na teoria, meninas buscam outra coisa numa história, e não apenas brigas com os inimigos.
O mestre de jogo fica quebrando a cabeça, buscando um interesse amoroso para motivar a personagem feminina, ou então, criando pets fofinhos e armaduras coloridas para atrair a atenção dela, mas com a motivação correta, qualquer jogador pode ficar muito violenta.
As motivações femininas são sutis e malucas, elas enxergam algo que vai além da realidade, e só faz sentido para elas.
Uma dica interessante para despertar o ódio delas contra seus inimigos, e fazer elas rolarem os dados com gosto é cuidar dos detalhes do inimigo.
Não estou falando de bônus de armadura ou poderes especiais. Quer despertar o instinto assassino de uma jogadora? Descreva uma vilã que esteja com uma vestimenta muito mais bonita do que a dela.



Ou então, procura dar melhores resultados, coloque a vilã com o mesmo vestido que o dela!




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O que você está oferecendo para seus jogadores?

Existe um círculo vicioso do medieval fantástico no RPG medieval. Estou falando daqueles jogos de matar monstro e ganhar XP, que a empresa "Wizards of the Coast" resumiu de maneira genial nos seus boardgames baseados na 4ª edição do "Dungeons&Dragons"

O RPG meio que virou isso, um jogo de tabuleiro de temática medieval com os jogadores falando, eventualmente, como se fossem os peões que estão utilizando no jogo.
E tem mestre que fala que só faz esse tipo de jogo porque é isso que o pessoal gosta de jogar, sempre que ele fala de fazer algo diferente a turma ameaça sair da mesa.
Será que é assim mesmo? Será que o pessoal só gosta de jogo de matar monstro ou será que é só isso que é oferecido para eles?
Será que passado o momento do aprendizado, que o jogador também passou ao conhecer o medieval fantástico, ele não vai passar a gostar de todas as novas oportunidades de cenários de RPG que existem por aí?


"O povo consome o que lhe é dado." - Antônio Veronese - Artista Plástico


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Pet Companion não é Pokémon!

Tem jogador que se empolga com a possibilidade de ter vários pets com seu personagem, e fica perturbando o mestre, falando que tá na regra, que ele tem pontos e tudo o mais.
Imagina, um ranger com cavalo, lobo, águia, pantera, papagaio e uma tartaruga marinha. Pode até estar na regra, mas não dá certo:


E tem mais, o cara quer animais ferozes como pets, para ajudar nas batalhas, portanto, o mestre tem que lembrar que esse animal é feroz na natureza, quando o personagem "amigo dos animais" tenta adestrá-lo:




sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Novo teste para cenas de tiro

Já pensou em cobrar de seus jogadores alguma simulação de atividade ao invés da rolagem de dados para resolver uma ação?
Já está disponível para uso doméstico o aparelho adquirido recentemente para melhorar o desempenho das forças policiais do estado de São Paulo.
Na época de sua implementação, o Secretário de Segurança Pública, Coronel Ubiratan Soares Figueiredo, disse que a utilização de tal equipamento, além de cortar completamente os custos com munição e manutenção de armas, também simulava com exatidão as situações de confronto nos mais variados logradouros.
Durante as cenas de tiroteio em seus jogos de RPG, você poderá colocar seus jogadores numa réplica da situação de tiro, e avaliar se o desempenho dele significa o sucesso ou o fracasso do personagem dentro da mesma situação no jogo.
Eventuais bônus ou penalidades que o personagem possa ter, seja em sua ficha ou na ficha dos alvos, podem ser ajustadas pelos botões de ajuste do aparelho.
Confira abaixo o vídeo institucional desse aparelho, que despertou no Governador do Estado o senso de opotunidade de melhorar ainda mais o treinamento das polícias, tanto civil, como militar:


Compre o seu antes que se esgote, existe a notícia que o governo federal pretende abrir licitação para a compra destes aparelhos para o treinamento do exército também.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ganhar XP ou Fazer Interações? Eis a questão?

E se, no meio do combate, um dos monstros começasse a conversar com os personagens jogadores, ou então, começasse a se comportar de uma maneira diferente, evitando o ataque e tentando mostrar alguma coisa.
Será que os jogadores vão desperdiçar os XP da morte desse monstro para ficar gastando tempo da aventura numa interação que nem poderia resultar em algo de útil para o grupo (resolveria apenas o problema do monstro)?
Eu tive uma experiência divertida com isso: Em um jogo de D&D, os jogadores estavam escapando duma prisão por cavernas subterrâneas, e alguns guardas esqueletos patrulhavam o local.
Durante o confronto, perceberam que, um dos esqueletos não atacava, aliás, nem estava segurando arma alguma: O esqueleto estava junto com os outros, mas quando a briga começou, ele se afastou (os esqueletos estavam em maioria), e ficou apenas observando a ação, se afastando quando alguma ação violenta chegava perto dele.
O grupo ficou intrigado com aquela descrição, e tentaram interagir com o esqueleto: ele pegava coisas que entregavam para ele, ficava olhando para quem estava falando para ele (mas não respondia nada), e, para a surpresa dos jogadores, quando eles cansaram de brincar com esqueleto e continuar sua fuga pelas cavernas, o monstro os acompanhou.
Como mestre de jogo, eu sabia que ele era o resultado de um ritual necromante que falhou em apagar as memórias daquele servo (alguma coisa do tipo: o fantasma daquele cadáver não tinha abandonado o corpo), e agora, confuso, o pobre esqueleto tentava entender qual era o papel dele no mundo.
Aos poucos, os jogadores foram entendendo que existia alguma consciência naquele amontoado de ossos, e conseguiram fazer o esqueleto interagir com eles, ele até ganhou armas e lutava junto com o grupo.
Na época, nós já estávamos alterando as regras dos RPGs que jogávamos para chegar em algo que mais se adequasse ao nosso estilo de jogo, e uma dessas alterações foi mudar o esquema de XP, que eram recebidos no final da aventura de acordo com os feitos dos personagens, independente de quantos monstros cada um tinha matado.
Na aventura daquele dia, o grupo não ganhou nenhum ponto de experiência por ter simpatizado com o esqueleto, mas nas aventuras futuras, ganharam um aliado que estava sempre de prontidão. Teve um final heroico o "Covarde" (apelido que deram para o esqueleto), durante um confronto com uma assombração (acho que era uma wraith), o Covarde conseguiu atrair a atenção do inimigo por tempo suficiente para o grupo poder causar danos suficientes com a única arma mágica do grupo. Covarde morreu (se é que podemos dizer isso de um "undead") nessa luta, mas foi lembrado desde então pelo nome de "Coragem".

Olha só um outro exemplo para uma campanha futurista: Um dos androides começa a apresentar algumas falhas de eficiência, e quando analisado, é identificada uma falha na programação que faz com que a máquina questione suas ordens,
Será que o grupo iria manter esse hardware defeituoso, ou simplesmente o trocaria por um aparelho eficiente?


bônus: os caras da Sony foram tão fundo no ultra-realismo que fizeram um making-off fake do vídeo, colocando a modelo 3D como se fosse uma atriz real, ficou até mais perfeito do que no filme original:



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Morfologia dos Contos de Fadas

Lembra da "Jornada do Herói"?
Teve um acadêmico russo que fez a mesma coisa que o Campbell com os contos de fadas e contos folclóricos russos, destacando cada um dos eventos que viu acontecer nessas histórias e identificando-os em várias histórias.
Vladimir Propp chegou numa lista de 31 cenas que podem ocorrer em uma história. Tente achar alguma história que tenha alguma cena que não esteja nesta lista:


1- DISTANCIAMENTO: um membro da família deixa o lar;
2- PROIBIÇÃO: uma interdição é feita ao Herói;
3- INFRAÇÃO: a proibição é violada;
4- INVESTIGAÇÃO: o Vilão faz uma tentativa de aproximação/reconhecimento;
5- DELAÇÃO: o Vilão consegue informação sobre a vítima;
6- ARMADILHA: o Vilão tenta enganar a vítima para tomar posse dela ou de seus pertences;
7- CONIVÊNCIA: a vítima deixa-se enganar e acaba ajudando o inimigo involuntariamente;
8- CULPA: o Vilão causa algum mal a um membro da família (por família, entenda a comunidade em que o herói vive) do Herói; alternativamente, um membro da família deseja ou sente falta de algo (poção mágica, etc.);
9- PEDIDO DE SOCORRO: o infortúnio ou a falta chegam ao conhecimento do Herói;
10- CONSENSO/CASTIGO: o Herói recebe uma sanção ou punição;
11- PARTIDA DO HERÓI: o Herói sai de casa;
12-SUBMISSÃO/PROVAÇÃO: o Herói é testado pelo Ajudante (mentor), preparando seu aprendizado ou para receber a magia;
13- REAÇÃO: o Herói reage ao teste (falha/passa, realiza algum feito, etc.);
14- FORNECIMENTO DE MAGIA/OBJETO: o Herói adquire magia ou objeto mágicos;
15- VIAGEM: o Herói é transferido ou levado para perto do objeto de sua busca;
16- CONFRONTO: o Herói e o Vilão se enfrentam em combate direto;
17- MARCA: o Herói ganha uma cicatriz, ou marca, ou ferimento ;
18- VITÓRIA sobre o Antagonista;
19- REMOÇÃO DO CASTIGO/CULPA: o infortúnio que o Vilão tinha provocado é desfeito;
20- RETORNO DO HERÓI: (a maior parte da narrativas termina aqui, mas Propp identifica uma possível continuação)
21- PERSEGUIÇÃO: o Herói é perseguido (ou sofre tentativa de assassinato);
22- O HERÓI SE SALVA, ou é resgatado da perseguição;
23- O HERÓI CHEGA INCÓGNITO EM CASA ou em outro país;
24- PRETENSÃO DO FALSO HERÓI, que finge ser o Herói;
25- PROVAÇÃO: O Herói tem que provar quem ele é.
26- APROVAÇÃO: o Herói consegue passar por essa prova;
27- RECONHECIMENTO DO HERÓI: mesmo sem provas de quem ele é, alguém consegue reconhecê-lo;
28- DESMASCARAMENTO: o falso herói é identificado;
29- TRANSFIGURAÇÃO: a aparência do Herói muda;
30- PUNIÇÃO: o falso herói é punido;
31- NÚPCIAS DO HERÓI: o Herói se casa ou ascende ao trono.

Percebeu que filme pornô só tem as cenas 3 e 31?
Além disso, Propp identificou 7 tipos de personagens nas histórias: o Agressor, o Doador, o Auxiliar, a Princesa, o Mandador, o Herói e o Falso Herói.

Será que são esses os limites da criatividade humana?