sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Branca de Neve e a Vila das Mulheres Feias

Passou rápido, teve gente que nem percebeu, mas no filme "Branca de Neve e o Caçador" tem uma dica muito legal de construção de cenário.
Tem uma vila de pescadores, em que a Branca vai parar, que todas as mulheres tem grandes cicatrizes em todo o rosto.
A explicação para isso era a paranoia da Rainha, que caçava qualquer mulher que o espelho indicasse como sendo tão bela quanto ela. Para fugir desse destino, as mulheres desfiguravam as próprias filhas assim que elas começassem a se formar mulher.
Falando na Rainha, ela é a melhor coisa daquela porcaria de filme. Suas motivações, duas decisões, o modo como ela interferiu em todo o reino... Se fosse um filme da Rainha, com a Branca de Neve sifolendo no final, seria um bom filme.
O filme não é de todo ruim. Ele começou muito bem, mas muito bem mesmo, não só pela fortíssima construção de personagem da Rainha (vale assistir pelo golpe de estado que ela arma no reino), como também pela ação realista da Branca no começo do filme, dando indícios que esta seria a roupagem definitiva deste mito para o século 21.
Eis que, a ####### da ########## da atriz que interpretava a Branca de Neve, cansada de não conseguir fazer subir a pipa daquele ###### daquele filme de vampiros ############, decidiu dar uma chave de ######### em ninguém mais, ninguém menos do que o próprio diretor do filme que ela estava gravando.
Olha só, a ########### mirou alto, pra que pegar atorzinho de ############ que não apita nada na brincadeira? Ela foi direto no juiz da partida, e fez a cabeça do cara de tal maneira que o escravo da ####### fez tudo o que ela quis, transformou a frágil princesa em uma líder revolucionária, uma mistura de Joana D'Arc com Che Guevara.
Do nada (do nada não, né, teve muita ######### na cama do diretor para o infeliz do roteirista ter que reescrever tudo) a moça acorda, faz um discurso de guerra mais fodds do que o do William Wallace e comanda um exército contra a Rainha, utilizando uma das estratégias mais burras e vergonhosas já vistas em um filme.
Toma spoiler para não passar raiva quando assistir o filme: Ela coloca uma tropa para correr e cavalgar na direção do castelo em uma PRAIA!!!! Alguém já correu numa praia? Já cavalgou numa praia? Então... A imbecil já sabia que o castelo tinha flechas e catapultas de sobra para triturar qualquer imbecil que tentasse se aproximar pelo campo ABERTO da praia, e foi exatamente isso que a imbecil fez (queria porque queria uma cena cavalgando na praia com explosões ao fundo).
Ah, mas a estratégia principal dela era coisa de gênio, igual o imbecil do Capitão América no filme, que se entregou aos nazistas para que seus aliados entrassem de tirolesa numa janela do impenetrável quartel inimigo; a jênia da Branca contou para os anões um caminho subterrâneo para se chegar até o pátio do castelo e abrir os portões do castelo.
Até aí tudo bem, porém, os anões tinham que atravessar todo o páteo para chegar até a trava do portão, se esgueirando por guardas que estavam em alerta total por conta da invasão que se aproximava. Foi a furtividade mais rídicula depois do ladrão que ficou dando cambalhotas para não ser percebido pelo Beholder no primeiro filme do Dungeons'n'Dragons.

Voltando ao tema do post, você pode pegar algum aspecto da administração do reino para criar características únicas para as cidades que os personagens visitam.
Um grande exemplo está na nossa realidade terrestre, em várias vilar rurais chinesas.
Por conta do excesso de população, o governo chinês desincentiva a geração de um segundo filho nos casais. Se eles quiserem ter 1 filho, tudo bem; mas se quiserem ter 2 ou mais, eles deixam de receber benefícios do governo para o sustento da família e precisam pagar uma "taxa do segundo filho".
Somando-se a esse procedimento econômico, existe uma característica cultural que caracteriza a mulher como sendo um investimento sem retorno. As mulheres (das regiões rurais, principalmente) são apenas uma propriedade do pai que consome recursos, cresce, e passa a ser propriedade do marido. Apenas os filhos continuam com sua família, as mulheres devem abandonar as suas para se tornar empregadas na família do marido.
Muitos casais, ao se descobrirem pais de uma menininha, antevêem que ficarão sozinhos na velhice, sem filha e nem neto.
O resultado são vilas praticamente sem mulheres.
Aquela bebezinha que acabou de nascer é abandonada em um quarto específico do hospital, todos ouvem seu choro, mas o senso comum daquelas pessoas, não só o dos pais, mas também o dos médicos, enfermeiros, faxineiras e visitantes, diz que aquela porta não pode ser aberta; não antes de que o choro fique fraco, o tempo passe, e o fedor de um cadáver comece a incomodar o corredor.
Quem achar que eu sou um mentiroso filhadaputa que inventou essa história da bebezinha morta, vem me xingar nos comentários para ver o coice que lhe aguarda.



3 comentários:

  1. Roj, o filme deve ser horrivel mesmo, e a garota realmente ficou com o diretor do filme, mas nem assim ela conseguiria transformar um bom roteiro em um lixo apenas por conta da vontade do diretor. Estes roteiros chegam prontos, tem que ser aprovados pelos produtores, não bastaria o diretor bater o pé para que o roteiro fosse modificado a ponto de destruir a história. Está com cara de que como em muitos filmes e séries que vemos por ai, o roteiro começou muito bem e depois se perdeu completamente...acontece, mas achei divertida a sua história sobre a conspiração da atriz que utilizou o sexo para fazer o diretor mandar o roteirista mudar tudo.

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  2. Sobre as crianças chinesas abandonadas, eu já tinha ouvido falar, ainda temos muito que evoluir para que o ser humano comece a ser considerado um ser racional...

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  3. E teve aluno meu que disse que aqui é pior, pois ao invés de abandonar um para morrer, os brasileiros jogam no mundo dez para sofrer.
    Dá pra discordar dele?

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